Sexta, 15 de Dezembro de 2017

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O Início
Em 1895, o alemão e engenheiro mecânico Wilhelm K. Röentgen trabalhando como professor de Física na Universidade de Würzberg, na Alemanha, observou um fenômeno surpreendente ao fazer experimentos com um tubo de raios catódicos. Alguns materiais ficaram luminescentes com a presença de radiação, que foi comprovada na primeira experiência. Concluiu-se que além dos raios catódicos, outra radiação era emitida que foi denominada como Raio X. A medicina usou a tecnologia pela primeira vez para observar o interior do corpo no caso de fraturas e de outras doenças.
Sabe-se que altas doses de Raio X podem causar danos irreparáveis em organismos vivos.
Em 1896, o físico francês Henri Becquerel tentou provar o contrário da fluorescência do Raio X sobre certos materiais. Becquerel trabalhou com um composto de urânio juntamente com uma chapa fotográfica. Na experiência, provou-se que a radiação emitida pelo composto de urânio não dependera da incidência de luz. Alguns materiais têm propriedades de emissão de radiação por si mesmos.
Em 1898, Pierre Curie e Marie Curie denominariam as descobertas do físico francês como raios de Becquerel, que se tornaria futuramente em Radioatividade.
Pierre e Marie casaram em 1895. Apoiando-se na descoberta do efeito piezoelétrico de Pierre Curie, Marie criou um método para medir a intensidade das emissões radiativas de materiais diversos.
Trabalhando com diferentes compostos de urânio, conseguiu também demonstrar que as emissões eram diretamente proporcionais à quantidade de urânio nelas presente. Isso provava que os átomos desse elemento eram os únicos responsáveis pela radiatividade daquelas substâncias.
Em 1898, os Curie isolaram o elemento Polônio e Rádio. Em 1902, obtiveram 1 g de sal de rádio purificando toneladas de um minério denominado peckblenda.
Em 1903 ganharam o Prêmio Nobel de Física, juntamente com Becquerel.
Em 1906, Pierre Curie faleceu num infeliz atropelamento de carroça. Marie Curie, então, assumiu o seu cargo de professor na Universidade de Sorbonne e em 1911 ganharia o Prêmio Nobel de Química.
Em 1934, Marie Curie faleceu de leucemia devido ao uso e exposição excessiva à radiação.
  
  
 
A Radioatividade

   
É um fenômeno nuclear, em que núcleos instáveis emitem radiações para se tornarem mais estáveis.
As radiações, quando submetidas a um campo eletromagnético, podem ser detectadas através de uma tela fluorescente, em três tipos.
- Alfa (2a4): de natureza corpuscular, é positiva, possuindo 2 prótons e 2 nêutrons (núcleo do átomo de Hélio). Embora seja ionizante, possui um baixo poder de penetração.
- Beta (1b0): é uma partícula de média penetração. É um elétron acelerado que sai do núcleo, quando um nêutron se transforma em próton segundo o esquema:
 
            0n1 ----------> 1p1 + -1e0 + 00 neutrino
 
- Gama (0g0): são ondas eletromagnéticas de altíssima penetração. Esta emissão é da mesma natureza da luz visível, ultravioleta e raios-X.
  
  
 
Efeitos das Radiações

 

      - Elétricos: as radiações ionizam gases do ar atmosférico, tornando-o condutor de eletricidade, por exemplo, o Contador Geiger (aparelho usado para medir intensidade de radiações na atmosfera, baseando-se na sua condutividade elétrica).
     - Luminosos: muitos elementos radioativos apresentam luminosidade permanente (fosforescência) ou luminosidade temporária enquanto durar suas emissões (fluorescência). Esta propriedade faz com que certas substâncias, por exemplo, o sulfeto de zinco, sejam utilizadas na fabricação de ponteiros de relógios luminosos, tornando-os visíveis no escuro.
     - Químicos: produzem reações químicas ou afetam seus equilíbrios, por exemplo, expondo às radiações podemos transformar o oxigênio (O2) em oxigênio (O3) ou decompor sais de prata em revelações fotográficas.
     - Térmicos: as emissões radioativas são acompanhadas de desprendimento de calor que pode ser aproveitado na produção de energia elétrica.
     - Biológicos: as radiações, dependendo da intensidade são extremamente perigosas aos seres vivos, podendo destruir seus tecidos. Por sua vez, quando bem dosadas e localizadas podem ser utilizadas no tratamento de tumores cancerígenos, pois estas células reproduzem muito rapidamente e as células filhas produzidas são muito sensíveis às radiações, morrendo antes das normais. Esse tratamento é feito utilizando emissões gama obtidas através do Cobalto 60 ou do Césio 137, e é conhecido por Radioterapia.
     Um outro tratamento conhecido como Quimioterapia é feito injetando-se substâncias que percorrem o corpo inteiro do paciente, provocando efeitos colaterais (queda de cabelo, enjôo, diarréia) em células que se reproduzem rapidamente. Muitos diagnósticos de doenças também podem se valer da radioatividade. É o caso dos "traçadores", pois certos elementos aparecem concentrados em órgãos predeterminados como I131 (funcionamento da tireóide), Hg197 (tumores cerebrais), Tc99 (tumores pulmonares), Na24 (problemas circulatórios), Mn (tumores no fígado), P (ossos), etc.
     Modernamente a indústria mecânica tem utilizado de emissões radioativas para detectar trincas, corrosões em peças.
     A indústria alimentícia mede determinados teores protéicos com radiações, que também agem como bactericidas.

 
Período de semidesintegração e Vida Média
   
     Período de semidesintegração (T 1/2 vida) é o tempo necessário para que a massa radioativa inicial se reduza a 50 %: por exemplo, Cs137 (30 anos), Co60 (5,6 anos), C14 (5580 anos), Rn (3,8 dias), etc.
     Vida Média (Vm) é o tempo médio de vida de um átomo radioativo. Estatisticamente Vm = (T 1/2 vida)/0,7.